Cafh | A respeito da Meditação (2/9): os passos da técnica

Publicado el 05/10/2026
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A meditação discursiva nos leva a tornar-nos íntimos com a Divina Mãe, a aprender a expressar nossas necessidades e anseios mais profundos. Ajuda-nos a ver-nos tal qual somos e a aceitar essa realidade.
A vida diária nos mergulha nos afazeres e preocupações mais prementes. Poucas vezes temos a oportunidade de enfrentar espontaneamente a nossa realidade interior e as nossas necessidades espirituais. A faina diária nos rouba a oportunidade de estabelecer relações profundas com a família e com os amigos. Vivemos em uma espécie de semiconsciência acerca de quem somos e de quais são os nossos objetivos. Acostumamo-nos a não nos ver, a não refletir, a tentar esquecer o que nos dói e a enfocar o que pressiona.
Geralmente são situações dolorosas ou tragédias o que nos obriga a deter-nos para refletir. Talvez seja por isso que, inconscientemente, pensamos que “se não tenho problemas” não necessitamos deter-nos e meditar.
No entanto, sempre existe latente a necessidade de nos tornarmos íntimos com nós mesmos e de nos conhecermos, e também o anseio de nos unirmos a uma realidade mais ampla do que o âmbito de nossos afãs. Grande parte do descontentamento que sentimos, quando vivemos correndo, provém de não satisfazermos esta necessidade fundamental. Esta pode começar a ser satisfeita com a meditação discursiva.
O exercício da meditação discursiva dura geralmente quinze minutos, distribuídos em três passos. Antes de começar o primeiro passo, anunciam-se três vezes a meditação, o tema e o efeito. Também se anuncia cada um dos passos: Invocação, Espera e Resposta.
Na Invocação, abrimos a nossa alma para a Divina Mãe, aprendemos a dizer o seu nome, a pedir a sua assistência, a sua luz. Mostramos-lhe quem somos, sem reservas e sem vergonha. É como esvaziar-nos interiormente para poder ver o que realmente resta, a realidade desnuda de nossa alma. Desta maneira, pouco a pouco, não só mostramos o que somos mas também descobrimos as nossas necessidades, os nossos anseios.
Na Espera, ficamos expectantes, sem desejar, sem esperar nada mais do que a palavra da Divina Mãe. É como suspender todo julgamento, todo movimento.
Na Resposta, recebemos a palavra da Divina Mãe a qual nos chega através de nosso silêncio, de nossa honestidade e abertura. Pode ser que, no passo da Resposta, não nos sintamos confortáveis, já que uma resposta da Divina Mãe poderia parecer-nos irreal. Isto costuma acontecer quando não fomos realmente sinceros e abertos na Invocação, porque falamos de fachada, através da máscara que cobre o nosso verdadeiro ser. E a resposta nos chega desse mesmo nível de consciência. Quando conseguimos fazer a Invocação expondo-nos totalmente e, na Espera, deixamos de lado o nosso discurso habitual, a Resposta surge sozinha, do fundo de nossa consciência.
A meditação discursiva cumpre um papel essencial em nosso desenvolvimento espiritual. Abre-nos para nosso subconsciente e inconsciente, ensina-nos a aceitar-nos, a entender os processos interiores e prepara-nos para o trabalho da meditação afetiva. Antes de começar a trabalhar sobre as nossas emoções na meditação afetiva, é necessário que nos conheçamos e nos aceitemos sem julgamento, sem condenação; que reconheçamos a nossa insignificância em relação à totalidade que nos engloba e que nos
impulsiona a expandir a nossa consciência e o nosso amor à Divina Mãe.
A meditação discursiva cumpre um papel essencial em nosso desenvolvimento espiritual. Abre-nos para nosso subconsciente e inconsciente, ensina-nos a aceitar-nos, a entender os processos interiores, pois é necessário que nos conheçamos e nos aceitemos sem julgamento, sem condenação; que reconheçamos a nossa insignificância em relação à totalidade que nos engloba e que nos
impulsiona a expandir a nossa consciência e o nosso amor à Divina Mãe.
Como a meditação discursiva tem uma técnica muito simples e é a primeira que aprendemos, nem sempre lhe damos a importância que tem e deixamos de praticá-la uma vez que aprendemos a meditação afetiva. No entanto, a meditação discursiva é sempre muito valiosa
para nosso desenvolvimento e para nossa saúde mental e emocional.
A oração, em todas as suas formas - entre elas, a Meditação - induz-nos a nos centrar com naturalidade na presença divina, de tal maneira que nos sentimos acompanhados interiormente no que pensamos,
sentimos e fazemos. A presença divina traz consigo, ao nosso cotidiano, todas as almas do mundo. O divino em nosso interior é um eco da realidade vivente, do fluxo incessante da vida.
É o natural, o espontâneo, que aparece pelo simples fato de focarmos nosso olhar interior na Divina Mãe. Viver em estado de oração é desenvolver coerência entre nosso fazer e nosso ser; é integrar nossos atos com as construções de nossa mente. O estado de oração nos ajuda a viver em uma única realidade, a da vida consagrada que unifica nosso ser com todos os seres, na presença divina.