Cafh | 2023: Nossa Missão no Mundo Atual

Publicado el 08/03/2026
|

Em 2023, a diretora de Cafh, Ana Cristina Flora, desenvolveu a ideia do escopo que a Missão de Cafh alcança no mundo atual. Neste sentido, ela trouxe algumas questões provocadoras, como: Por que falamos da missão de Cafh? De que forma é útil à humanidade o que fazemos em Cafh? Sentimos que temos uma missão como pessoas? Qual é o propósito de nossas vidas? Para que estamos em Cafh?
O desenvolvimento espiritual pode ser um objetivo pessoal: procuro desenvolver-me para viver melhor, para ser uma melhor pessoa, para ser mais pleno ou feliz, para ter menos problemas, para ter uma melhor imagem própria.
Todos estes objetivos são válidos e legítimos. Mas o objetivo pessoal, ainda o mais elevado, não basta para mobilizar nossa vontade e nos manter no caminho da Renúncia ao longo de toda nossa vida.
Qual é o verdadeiro motor das nossas vidas?
Nossa força radica no fato de que o trabalho espiritual não é um objetivo pessoal. É um meio para gerar um legado: trabalhar na raiz dos problemas humanos e encarnar o valor da Renúncia para as gerações vindouras.
A União Divina ou a união com a consciência cósmica não pode ser uma ideia meramente abstrata, algo para um futuro muito distante. Podemos traduzir essa ideia em passos simples, concretos e diários.
Como podemos realizar a nossa missão no nosso dia a dia?
A primeira coisa que se apresenta diante de nós é que esta é uma tarefa permanente, um trabalho perseverante como a gota de água que fura a pedra. Uma única gota não causa um efeito duradouro. De igual modo, um esforço isolado, uma oração de vez em quando, um gesto amável ou generoso uma ou outra vez não é suficiente para dotar de sentido a nossa vida.
O processo de autoconhecimento é contínuo. Por quê? Acaso não nos conhecemos depois de tantos anos no Caminho? Se se acreditássemos nisso, significaria que sempre se é a mesma pessoa, que não se muda, que o processo interior parou. Somos vida em contínuo movimento, somos devenir. É impossível que tudo permaneça exatamente igual, sempre. E se estamos mudando a cada instante, sempre há novas possibilidades, novos horizontes para explorar.
O segundo elemento para tornar nossa missão uma realidade em nossa vida é aprender a integrar todos os aspectos de nosso ser.
O que significa integrar todos os aspectos de nosso ser e por que é necessário?
Em geral, os seres humanos estamos fragmentados, desconectados: mente racional - mente intuitiva, corpo, emoções, relações, separatividade.
Estamos influenciados por nossas circunstâncias (cultura, país, família, tempo).
Para conseguir uma consciência mais unitiva, mais expansiva, necessitamos simplificar-nos. O desenvolvimento espiritual é, fundamentalmente, um processo de simplificação, de renúncia.
Todos temos umas circunstâncias que determinam a nossa vida.
Não aparecemos na Terra como um meteorito que caiu do céu. Tampouco nascemos como uma página em branco. O simples fato de sermos compostos pelos genes de nossos pais indica que não somos uma página em branco, que herdamos muitas coisas. E a nossa herança não se limita aos nossos genes. Nascemos num espaço-tempo, herdamos uma história pessoal e grupal, nascemos num ambiente determinado, recebemos certos valores culturais, certa forma de nos relacionarmos, certas possibilidades e limitações, tivemos certas experiências.
Como integramos em nossa consciência nossas circunstâncias e a forma como elas nos impactaram?
O passado e nossa herança são assuntos sobre os quais pouco se têm falado em Cafh. Mas hoje está sendo demonstrado o quanto os eventos do próprio passado ou os do sistema em que vivemos influenciam no presente, quando não se transformaram em aprendizagem e consciência.
Falamos de renunciar ao passado e de viver o presente. Mas tudo o que carregamos inconscientemente nos pesa como uma mochila que não podemos ver nem da que nos liberamos realmente. Não podemos renunciar nem nos libertar daquilo de que não somos conscientes.
Muitas doenças e limitações físicas, mentais, emocionais e relacionadas à percepção de nós mesmos têm suas raízes no passado. O ressentimento e o rancor podem aninhar-se escondidos no nosso interior, como um fermento que é um veneno para a alma.
Renunciar, neste caso, significa colocar-nos de frente com essa história, as nossas experiências, a nossa herança, trazê-las à consciência. O exercício de fazer um exame retrospectivo de nossa vida desde nossa lembrança mais remota até o presente, pode ser de grande ajuda para integrar nosso passado.