Cafh | Meditação à vera (8/14): A Progressividade dos Temas

Publicado el 30/04/2024
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Há uma forma que poder ser vista como fácil, de entender os temas da meditação de uma forma global. E que seria olhar a sequência dos temas, como se partisse de um estado de profunda ignorância e chegar a um estado de iluminação, que é o arroubamento. assim são os temas da meditação.
Por exemplo, na Dama do Véu Negro colocamos ênfase no que obscurece nossa compreensão, nosso entendimento e nossa vida.
No Abismo, empenhamo-nos em nos dar conta do isolamento em que estamos, devido ao estado de consciência em que estamos.
E nos Dois Caminhos já começamos a ver um pouco de luz, já nos damos conta se temos que ir por aqui ou por aqui. Porém, a questão é desapegar-me dos velhos hábitos, que já comecei a vê-los na Dama do Véu Negro, e já comecei a me dar conta de como eles me entranharam no Abismo, no Abismo da falta de comunicação, da incompreensão. E depois, nos Dois Caminhos, já tenho mais luz: vou por aqui ou vou por aqui.
Porém, como os velhos hábitos têm tanto poder, como o vinco na dobradura de uma folha de papel, que vimos no vídeo da Dama do Véu Negro, a folha marcada sempre tende a cair para o mesmo lado. Aí tenho que gerar uma força, uma outra dobra na direção oposta, para que o guardanapo se endireite. Se não me detenho nos Dois Caminhos e faço o desapego, não vou chegar ao Estandarte. Não vou chegar, não posso saltar o desapego, no sentido de distingui-lo da eleição. Nos Dois Caminhos, a questão é dobrar o papel para o outro lado e me desapegar dos velhos hábitos, desapegar-me da forma de ser que tenho, e que ela não me agrade mais, que me agrade uma outra forma: a mais universal, a mais aberta, a mais expansiva. Só então vou poder erguer o Estandarte. Porque já tenho de onde me fixar, já sei como são as coisas.
A Dama do Véu Negro me leva ao Abismo, e ele me leva à expansão e à compreensão. Se nos Dois Caminhos a gente sente que já deva fazer uma eleição. É muito importante que nos detenhamos nos Dois Caminhos e discernir o que nos é próprio e, o tudo o mais que não for, cortamos o vínculo para nunca mais. É como se a gente deixasse a poeira para trás. Porém, didaticamente, só aí podemos falar do Estandarte e de uma eleição de vida. Porque, se não, não temos força para eleger, para ver o que mais nos convém, porque sempre a tentação do passado, do velho, do obscuro vai nos puxar. E temos que me desapegar disso. Só então, após isso, é que vamos poder fazer uma eleição.
O fundador de Cafh também nos ensinava a tirarmos a foto. Ele dizia que, em qualquer momento do dia, sobretudo se estivéssemos um tanto demasiadamente envolvidos no redemoinho do dia, poderíamos aproveitar e parar uns segundos, tirarmos a foto, e nos ver como estávamos nesse instante. O que estou fazendo e em que estou pensando? E o que me mantém preso, o que me encurrala neste momento, e quanto havia me esquecido de quem sou e de para onde vou. Mas o principal é ir revelando a carapaça em que vivemos, e a imagem que vivemos.
E se olhamos para os temas de meditação, a partir deste ponto e vista, é genial, é genial a progressão. E como nos ajudamos a nós mesmos com os exercícios, através do aborrecimento, através da desolação, através do desapego, através da eleição.
E assim podemos entrar no Templo de Ouro.