Cafh | 2025: Uma missão mais além de crenças

Publicado el 08/03/2026
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Em 2025, a diretora de Cafh, Ana Cristina Flor reforçou a importância de que cada membro de Cafh se aproprie da Missão e a viva e construa como se fosse a própria missão de vida.
Não é possível negar o elevado nível de incerteza da realidade atual, oscilando pendularmente desde visões apocalípticas até as epifanias, e não dispomos de respostas conclusivas, nem tranquilizadoras, para as inquietudes que experimentamos.
A complexidade dos fenômenos não nos facilita encontrar uma explicação simples. A realidade é sempre complexa, multicausal.
É difícil ficar em suspenso, sabendo que não sabemos, e que qualquer especulação é isso: uma hipótese, nada mais. Pode ser útil, porém é uma hipótese.
E aqui, novamente vem em nossa ajuda a Lei da Renúncia. Ensina-nos a soltar interiormente essa necessidade de saber, de controlar, de ter uma resposta para tudo. Não quer dizer que nos tornamos passivos e indiferentes.
Necessitamos de hipóteses de trabalho e temos a capacidade de gerá-las com nosso raciocínio, com o conhecimento e a informação de que dispomos. Mas sabemos que são temporárias, que necessitam ser verificadas e não nos aferramos a elas. Confiamos que o próprio processo nos mostra o caminho. Confiamos no Divino, na Consciência Cósmica que subjaz ao processo.
Percebo muita preocupação entre os membros de Cafh, com relação ao estado do mundo e ao futuro. Preocupações como se o que fazemos pessoalmente e em Cafh não tivesse nenhum impacto sobre o que está acontecendo. Preocupação sobre se somos poucos ou se somos velhos ou se vamos desaparecer. Preocupação sobre como transmitir a mensagem de Cafh às novas gerações.
Todas essas preocupações pareceriam partir da mesma premissa: as coisas no mundo estão ruins assim como estão. O que aconteceria se nos permitíssemos questionar a premissa de nossas preocupações?
O que há nas crenças inconscientes é que elas parecem lógicas, não nos atrevemos a desafiá-las. Como pode perguntar algo assim? Não vê o que está acontecendo no mundo? Não é por acaso óbvio? Não assiste às notícias? Não sabe das guerras, dos incêndios, as secas, as inundações, os migrantes, a fome, a desigualdade? Não vê a crise política e institucional? Não percebe todos os seres humanos que estão sofrendo? Está tudo mal. O que há que questionar?
Assim funcionam as crenças. Uma crença é, por definição, algo que não podemos questionar. Também, poderíamos dizer que o contrário de uma crença é a dúvida.
E é, neste caso, que nos convém duvidar. Não para embarcar-nos em outra crença, a oposta: tudo está bem, vivamos ignorando o mal ou o doloroso que acontece dentro de nossa própria bolha. Sempre existe a tendência natural para o efeito pêndulo.
Convém-nos duvidar, porque manter-nos apenas na crença de que tudo está mal não nos permite viver com serenidade nem ter a mente clara para gerar algo novo, diferente e melhor para a humanidade. Esta crença, o único que semeia em nós é um estado de ânimo sombrio, de desesperança. Inclusive, de falta de sentido.
Dizemos que a missão de Cafh é desenvolver a egoência, através da Mística do Coração e de viver a ideia da Renúncia... em nós.
Recordemos a Lei da Renúncia, o grande tesouro que ajuda a pôr luz na obscuridade. Ensina-nos que podemos deixar esses fantasmas do futuro, porque não existem, porque não temos nenhum controle sobre eles. E enfocar-nos em viver o momento presente. É fácil ver que o segredo da vida está unicamente aqui e agora. Nosso único campo de ação é o agora. Todo nosso potencial tem sentido agora.
Então, diante de qualquer inquietude, cabe nos perguntar: que posso fazer agora? O que aporto a partir do meu ser? Qual é a vibração que estou produzindo?
A resposta não está fora, está dentro. Em que futuro quero viver, o meu interior e exterior, esse é o que posso cultivar.
O futuro não existe como tal; está se construindo a partir deste momento presente. Essa é a chave. E não se constrói sozinho. Cada um de nós somos parte dessa construção, e todos os seres humanos e as forças da natureza do planeta.
A Obra de Cafh é um movimento que procura gerar na humanidade um movimento evolutivo.
Cafh só tem esse propósito: desenvolver a vida interior.
Nossa hipótese é que, dessa maneira, preparamos o terreno para a humanidade futura. É uma hipótese, porque não podemos demonstrá-la, porque o futuro é desconhecido. Porém sabemos que o futuro se forma a partir do agora.
Não é fácil gerar uma visão mais esperançosa da humanidade e do presente. Então, onde está o desafio? Está em nós. As pessoas só veem Cafh através de nós, do que nós projetamos. Através de nossos filtros, de nossos preconceitos, de nossos temores.
Para isso, necessitamos ter muita clareza sobre qual é a missão de Cafh e qual é o seu alcance. E sobre o que nos leva e o que não nos leva a realizar essa missão.
A missão de Cafh é desenvolver a vida interior integrada em harmonia com o entorno, sustentando dessa maneira um movimento evolutivo da consciência da Humanidade.