Cafh | Flexibilidade Mental

Publicado el 11/08/2025
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O universo, pelo menos da maneira como percebemos, a natureza, as sociedades e os seres humanos, estamos em constante mudança.
Mudam as interpretações do mundo e da vida. Os costumes que hoje nos parecem bons, amanhã podem ser inadequados. O que hoje é saudável e seguro, amanhã pode não ser mais.
A compreensão que tínhamos da realidade que ontem nos dava
segurança pode não responder aos desafios de hoje. Porém, é difícil nos
acomodar a um sistema de relações que muda continuamente, pois isso faz com que nos sintamos inseguros. E exatamente por isso, precisamos nos adaptar à insegurança implícita em situações imprevisíveis.
Precisamos flexibilizar nossa forma de pensar e desenvolver novas visões da realidade em que vivemos. Se olhamos nossa existência pela lente
da renúncia, a vida nos coloca no contexto sagrado de mergulharmos no
mistério de dar a resposta necessária a cada momento.
Se nos preparamos para abrir nossa mente ao que é diferente, a percepção de que a realidade nem sempre responde a nossas expectativas, identificamos a necessidade de desenvolver a flexibilidade mental.
Necessitamos dela para ser criativos e gerar respostas adequadas às demandas e necessidades de uma realidade sempre nova. Isto requer
que tenhamos a fortaleza de não nos enganarmos, por mais dolorosa que seja a realidade com a qual nos deparemos.
Principalmente em momentos críticos, necessitamos flexibilidade mental para que, em lugar de ficar paralisados pelo pânico como vítimas do passado, possamos nos localizar imediatamente em outra situação que requer novas respostas e ser construtores do futuro.
Desenvolver flexibilidade mental não significa ser arrastados de um lado para outro sem destino. Ao contrário, libera-nos da tirania do apego a ideias ou a pontos de vista. Isto nos permite compreender diferentes
visões do mundo e da vida, sem, por isso, perder nosso rumo, nem confundir nossas ideias com indiferença ou com falta de compromisso. E nos leva a fazer-nos responsáveis por nossa própria vida.
Embora não possamos evitar as mudanças próprias da vida, podemos fazer delas fontes de compreensão e de sabedoria. Se aceitamos o contínuo desapego a que as mudanças nos forçam, desenvolvemos a
capacidade de descobrir bens permanentes, tais como o amor desinteressado, a reverência e a participação. E neles nos apoiamos.
Tomar conhecimento profundo de nós mesmos e flexibilizar nossa mente requer valentia, decisão, coragem e confiança em nós mesmos, pois nos permite ver o que ocorre e o que nos ocorre e, ao mesmo tempo, ver que continuamos sendo o que somos essencialmente: um ser humano com infinitas possibilidades.