Cafh | Meditação com Ciência: subjetividades de um exercício cerebroespinhal

Publicado el 29/09/2026
|

[...] Tomai posse profunda de vós mesmos [...] O sentir se escapa e se esconde das mãos do ser, e sem saber o que na realidade se sente não há consciência de si, mas apenas consciência-reação.
Com essas palavras, em sua Mensagem de 1962, Santiago Bovisio, o fundador de Cafh, destacou a importância do conhecimento e do domínio de nosso sentir.
A emoção ocupa um lugar central no desenvolvimento da pessoa e, em geral, de toda a sociedade. Tanto na vida individual como na vida dos povos e da humanidade em seu conjunto, o significado de muitas emoções permanece sempre igual. O medo, a alegria, a ira aparecem na experiência humana como arquétipos de significado comum a todos.
Compreendemos nossas emoções através da educação em família, da arte, da literatura, da filosofia. Sem nos darmos conta e desde muito pequenos, aprendemos a identificar emoções e a dar-lhes significado. Uma criança de três anos, ao olhar uma foto de alguém que chora, pode identificar a emoção e concluir que essa pessoa está triste.
Sabemos que nossas emoções podem ser ativadas de forma automática e inconsciente e que muitas vezes experimentamos emoções sem saber o porquê ou sem raciocinar sobre o motivo de senti-las. Também sabemos que isto influi sobre nossa maneira de perceber, de pensar, de julgar, de recordar, de imaginar e de adaptar-nos às circunstâncias.
As pesquisas em psicologia do desenvolvimento e em neurologia comprovam este aspecto da sabedoria popular, porém vão mais além. Propõem que haveria dois modos de ativar a emoção que teriam grande importância para a aquisição de conhecimento e para a
conduta. O processamento subcortical automático da informação proveria os dados para uma resposta emocional imediata.
O processamento da informação de uma ordem mais elevada e que implica a atividade neocortical produziria as emoções necessárias para a adaptação a situações complexas.
A pesquisa na área biossocial e as teorias construtivistas estão de acordo que a percepção, o pensamento, a imaginação, a memória são importantes causas de emoções. Também estão de acordo em propor que, uma vez que a emoção se ativa, a emoção e a cognição se influenciam mutuamente. O que pensamos afeta o que sentimos, percebemos e fazemos e vice-versa.
O desenvolvimento da empatia, as condutas altruístas, a conduta moral, as características pessoais, o que aprendemos, recordamos e sabemos são profundamente influenciados pelos estados emocionais.
O que significa isto em relação a nosso caminho de desenvolvimento? Que é de suma importância o conhecimento profundo de nossas emoções e o trabalho sobre nossas respostas emocionais. Dada a grande influência das emoções sobre a forma de perceber, sentir, pensar e agir, é preciso nos darmos conta de que tanto o que sentimos quanto o que fazemos com o que sentimos determinam em grande medida o nosso grau de participação, de compreensão e de
amor.
No exercício da Meditação Discursiva aprendemos a utilizar o extraordinário potencial da imaginação, o que é muito diferente de fantasiar. A fantasia é um divagar através de lembranças e associações ou idealizar coisas reais. O exercício da Meditação Discursiva não usa a fantasia, mas, a imaginação; isto é, a faculdade de nossa mente de representar as imagens de coisas reais e também das ideais. Por isso, a meditação é, para nós, uma porta que se abre para o desconhecido, uma ponte para nosso inconsciente, um convite para perceber além das convenções. Não esqueçamos que a grande maioria dos adiantamentos cultural é o fruto da imaginação criadora, da capacidade da mente de representar o real e o ideal.
Esta distinção entre fantasia e imaginação é fundamental. No trabalho da imaginação não há confusão nem idealização; é abrir-nos ao que não conhecemos. Quanto mais imaginativo e criativo é o ser humano, mais forte seu desafio aos esquemas conceituais aceitos por costume.
Aristóteles chamou a imaginação “a janela da alma”, remarcando que sempre representa sua realidade interior. Por sua vez, Albert Einstein asseverou que a imaginação é mais importante que o conhecimento.
Logicamente, estas afirmações devem ser compreendidas dentro de um contexto já que também se pode dizer que o conhecimento cultiva a imaginação e que as expressões lógicas do pensamento formal expressam um aspecto da realidade da alma.
Os exercícios de meditação que nosso Método indica, têm a particularidade de desenvolver nossa imaginação, não como um fim em si mesmo, mas, para que através dela nos coloquemos em contato com nossa realidade interior.
A imaginação nos permite renovar o significado do passado, vendo-o à luz de nosso estado de consciência atual; permite-nos criar um futuro possível, antecipar-nos a situações, elaborar soluções e muitas outras coisas mais que são impossíveis realizar no mundo concreto exterior sem antes imaginá-las. A solução de problemas, o avanço científico, a arte, todas as atividades humanas criativas têm sua base na imaginação.