Cafh | Alcances de minhas mãos

Publicado el 18/05/2026
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Recordemos que somos cocriadores da realidade em que vivemos. Nossa atitude, nosso sentir, nossas ações é o que dá forma e sentido à nossa realidade.
Não percamos as esperanças. A confiança na própria missão é uma questão de fé. Mas não da fé religiosa que crê em algo determinado. A nossa fé se assenta no desconhecido, na aceitação daquele desconhecido que guia a nossa vida. Reconhecemos nossa profunda ignorância e pequenez diante de um processo de evolução que nos transcende. Mas ao mesmo tempo procuramos ser colaboradores ativos dessa evolução.
Cafh, como organização, é uma reunião de pessoas que se dedica às pessoas. Seu propósito é puramente espiritual. Sua missão é servir aos membros de Cafh e a outras pessoas que se relacionam com Cafh como meio para facilitar-lhes o desenvolvimento de suas possibilidades espirituais - individuais e coletivas -, na realização da missão comum: desenvolver a egoência através da Ascética da Renúncia e da Mística do Coração.
Então, a tarefa dos que cumprimos funções em Cafh está totalmente centrada nas pessoas e nos grupos. É um trabalho de serviço. Por isso, é fundamental que nos atualizemos interiormente, em nosso próprio processo espiritual, e também no desenvolvimento de nosso trabalho.
Como já mencionei em outra Alocução, considero que necessitamos desenvolver um tipo de liderança que chamei de "liderança facilitadora", e agora acrescentarei a ideia de "liderança inspiradora”.
É difícil inspirar os outros se não nos inspiramos a nós mesmos. Qual é a nossa fonte de inspiração? Necessitamos manter vigente nossa conexão com nossa vocação, manter ativo nosso próprio processo espiritual, alimentar continuamente o amor em nós, a abertura à vida, o anseio de servir a toda a humanidade, a esperança de que um mundo melhor é possível e que a nossa contribuição conta.
Dentro do estado de evolução atual - o novo paradigma - já estamos conscientes de que as condutas autoritárias ou paternalistas não nos conduzem a um desenvolvimento dos indivíduos nem dos grupos. Isso não implica, no entanto, o vazio ou a ausência total de liderança.
A função principal de um guia em Cafh é ajudar o grupo a manter-se consciente de qual é a missão, para que estamos reunidos e trabalhando juntos, quais são os valores sobre os quais se assenta Cafh e o desenvolvimento espiritual. Se este enfoque se desvanece, se dilui ou se perde, perde-se também a razão de ser e se produz uma desconexão.
Quem coordena um grupo também tem a responsabilidade de facilitar o processo de comunicação. Em primeiro lugar, pratica a escuta ativa, livre de preconceitos, e facilita que todos os membros do grupo possam se expressar, se respeitem e se escutem. A plena aceitação do ser da outra pessoa e a possibilidade de se expressar tal como é, sem medo de ser julgado ou rejeitado, é a base da confiança. A confiança torna possível que cada um desenvolva seu próprio potencial.
Gerar confiança permite que os vínculos sejam fortes e que se sinta pertencente ao grupo, independente das diferenças. Por sua vez, a confiança facilita um processo de comunicação sincero e profundo.
As diferenças são parte normal da vida de qualquer grupo.
As diferenças ou discrepâncias surgem a toda hora nas nossas relações e há que aproveitá-las sem que nos separem. Também as vemos na sociedade. Mas nela, as divergências levam à separação, ao confronto, à polarização extrema. Por isso, considero necessário aprender a trabalhar com os conflitos e diferenças dado que são naturais. Este é uma contribuição muito relevante que podemos dar neste momento.
Os preconceitos e crenças são um obstáculo importante para construir um ambiente de confiança nos grupos. Os preconceitos e crenças provêm basicamente de nossa educação, de nosso contexto cultural, de nossas experiências e de nossas próprias características. Quase sempre são invisíveis, não nos apercebemos deles, pensamos que a realidade é, ou deve ser, como nós a vemos.
Cada um de nós só pode ver uma faixa limitada - muito limitada - de todo o espectro do que existe. Ninguém tem visão de 360° nem tampouco estamos no centro de nada. Quando reconhecemos com humildade esta realidade, é mais fácil para nós ir além desses condicionamentos mentais para poder apreciar o ponto de vista do outro. Um ponto de vista diferente me permite completar e ampliar minha compreensão.
A ciência nos dá muitos bons exemplos disso. Basta observar quantos profissionais de diferentes especialidades intervêm em uma cirurgia de coração.
Como costumamos ter a tendência de evitar ou negar situações de divergência ou conflito, é necessário ter ferramentas para compreender como o conflito funciona, como abordá-lo e como trabalhá-lo para que seja uma fonte de crescimento, especialmente no grupo1. Atitudes básicas como o respeito, a escuta ativa e a aceitação plena da outra pessoa nos permitem abordar as discrepâncias e aprender com elas.
Diante das diferenças, é sempre necessário colocar no centro a nossa razão de ser.